De Fidel a Chapecoense

Cuba, ao que tudo indica, sempre teve inclinações para regimes ditatoriais

CHARLES GUIMARÃES 

 

Cuba, ao que tudo indica, sempre teve inclinações para regimes ditatoriais. Se não é de Direita que se incline totalmente para a Esquerda. No início do século passado o comandante-chefe, general Fulgêncio Batista, admirador inconteste do regime norte-americano de então, numa relação de promiscuidade total, entregava de bandeja a promissora ilha para os desmandos daquela que é até hoje a maior potência capitalista do mundo. Interessados em tudo que a ilha podia dar, os EUA não se fizeram de rogados. Exploraram o açúcar que a ilha produzia, introduziram cassinos, popularizaram o famoso charuto havano e inventaram a Cuba Libre – gelo, limão rum e Coca-Cola.  Aí já era demais! Foi o que pensou um advogado com espírito revolucionário. Um tal de Fidel Castro. Bem articulado, charmoso, do alto dos seus 1.91 m, com gana e vontade em dar um outro direcionamento para o seu país, reuniu um grupo seleto de companheiros, dentre eles ninguém mais, ninguém menos do que Ernesto Che Guevara.  Mas, como não se faz revolução distribuindo beijos e abraços, pedindo licença ou desculpas, o comandante não pensou meia vez, meteu o pé na porta, executou alguns contrários, fuzilou quem se atreveu a atravessar o seu caminho. Botou Batista para correr, ou nadar, até aos EUA com o rabinho entre as pernas. Deu esperanças e educação e caiu nas graças do povo. O tempo passa, o tempo voa e o comandante não reciclou suas ideias, só sua conta bancária que engordava enquanto o povo magro empobrecia. Mas, Fidel Castro entende de propaganda, marketing é com ele mesmo. Sua imagem sempre foi atrelada aos ideais de igualdade, o que sempre fez delirar os intelectuais de esquerda. O déspota mais longevo da história se despediu do mundo na semana passada. Pra uns ele virou anjo e subiu aos céus, pra outros ele está abraçando Lúcifer. Depende da ideologia da cada um.   A Associação Chapecoense de Futebol é uma revolução à parte. Em apenas 43 anos de existência conheceu todas as letras e séries, galgou todas elas até ser a sensação do Campeonato Brasileiro deste ano. Sensação por ser um time que começou pequeno, foi abraçado pelos chapecoenses e conseguiu se embolar no meio dos times grandes e tradicionais do futebol brasileiro. Não precisou disparar tiros, tampouco matou, mas que teve muita luta, muita entrega e, principalmente, organização, isso teve.  Iria disputar a sua primeira competição internacional. Todos os jogadores, comissão técnica, todos animadíssimos. Não faltava gás. Mas, um erro de cálculo do piloto do avião – e também dono da companhia aérea - decretou o fim dos sonhos de todo um time, de toda uma cidade. O combustível que sobrava à “Chape”, faltou no tanque do avião. Consternação geral. O país e o mundo se vestiram de um luto verde. A Chapecoense se tornou o segundo time do restante do mundo. Tragédia sem precedentes no universo esportivo. “Luchar contra lo impossible y vencer.” Essa frase de Fidel cairia bem para os meninos da Chapecoense que só queriam pisar na grama, rolar a bola e continuar sonhando! geraldocharles@hotmail.com  

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