Cinema Falado destaca filme 'Corra', documentário na Netflix e homenageia Tônia Carrero

Otávio Paiva

LANÇAMENTO DA SEMANA 

CORRA (GET OUT). EUA. 2017. DIR: JORDAN PEELE. ELENCO: DANIEL KALUUYA, ALLISON WILLIAMS, BRADLEY WHITFORD. SUSPENSE. 104 MIN.
Não tendo a chance de assistir a todos os concorrentes ao melhor filme do ano, pelo menos a esse suspense pude acompanhar e embora não seja o tipo de filme que admire, tive de tirar o chapéu para o diretor Jordan Peele pela originalidade de mesclar o racismo com o terror. Pois ele conseguiu transformar um pesadelo em uma imensa roda gigante onde nos postamos e saímos a gritar durante uma hora e meia, às vezes aterrorizados ou dando gargalhadas nervosas. Tudo isso para acompanhar a história de Chris (Kaluuya), um negro bem sucedido que resolve visitar os familiares de sua namorada Rose em uma casa de campo, ela que é uma linda loira de olhos azuis que lhe jura que sua família não é racista. Chegando ao local Chris vai se deparar com uma família bem peculiar e a princípio não atina para o que lhe espera, mas quando se sente hipnotizado pela mãe de Rose e é atirado a um buraco negro de sua mente, Chris começa a crer no pesadelo que lhe espera. Com uma atuação sensacional de Daniel Kaluuya que lhe deu a chance de concorrer ao Oscar como Melhor Ator, e um roteiro e direção feitos com luvas de pelica por Jordan Peele, esse filme é daqueles que veio para ficar.

HOMENAGEM A TÔNIA CARRERO

APASSIONATA. BRASIL. 1952. DIR: FERNANDO DE BARROS. ELENCO: TÔNIA CARRERO, PAULO AUTRAN, RENATO CONSORTE. DRAMA. 94 MIN.
Tônia Carrero é um ícone da nossa cultura brasileira e as pessoas que a conheceram nas novelas da Globo apenas, não imaginam nem um décimo do que essa mulher representou para o Brasil. Ela que já nasceu maravilhosamente bela, mas que aliou a beleza à uma inteligência ímpar, pôde enfrentar na década de 50 todo o machismo impregnado no país, e junto com o marido, o ator italiano Adolfo Celi e o ator Paulo Autran, fundaram depois de sua saída do Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, a Companhia Tônia-Celi-Autran, que pôde trazer o que havia de melhor na dramaturgia mundial clássica, desde Shakespeare e Racine a Jean Paul Sartre.

Tônia Carrero (Foto: Divulgação)

No cinema estrelou quase vinte filmes entre os quais se destaca essa produção da lendária Companhia Vera Cruz, escrita especialmente para ela, onde ela faz o papel de Sílvia Nogalis, renomada pianista que preferia a carreira ao casamento. Na noite em que receberia aclamação do público ao tocar a Appassionata de Beethoven, ela recebe a notícia minutos antes que seu marido, maestro Hauser (Ziembinski) havia suicidado, e sua governanta a acusa de ter planejado sua morte. Depois de comprovar sua inocência, Sílvia se retira para um local ermo junto ao mar para espairecer quando lhe aparece Pedro (Anselmo Duarte), diretor de um reformatório de jovens delinqüentes, e ela se apaixona novamente, mas seu verdadeiro amor é o piano e ela terá de escolher entre um dos dois. Um dramalhão bem dirigido por Fernando Barros, mas onde brilha a eterna Tônia Carrero, nossa musa de todas as estações.

NETFLIX

ALL THINGS MUST PASS: THE RISE AND FALL OF TOWER RECORDS. EUA. 2015. DIR: COLLIN HANKS. ELENCO: RUSS SOLOMON, CHUCK D., CHRIS CORNEL. DOCUMENTÁRIO. 94 MIN.
A Tower Records foi uma das maiores lojas de discos do mundo com mais de duzentas delas espalhadas em mais trinta países e começou na década de 60 bem humilde ao lado de uma farmácia, mas foi pouco a pouco crescendo até se tornar o coração e a alma da música mundial. O grande problema é que seu dono, Russ Solomon não imaginava que essa indústria estava com seus dias contados, e assim como em 1999 ela tinha feito um bilhão de dólares de lucro, em 2006 ela entrou em falência. Para todos aqueles que vão por a culpa por tudo isso na INTERNET, melhor verem esse documentário que esmiúça a história da companhia e de seu visionário dono que inovou ao ter uma visão de mercado na década de 60, conseguiu reunir pessoas incríveis para trabalharem com ele e conseguiu criar uma empresa que todos que a conheceram, jamais a esquecerão. No filme vemos um choroso Elton John se lembrando do tempo em que fechavam a loja para ele adquirir centenas de discos a cada vez que lá ia. Um filme que nos comove e nos entristece pelas lembranças doces e amargas de um tempo que acabou ali na esquina.

MÚSICA DA SEMANA

Enquanto escrevia essa coluna fui ouvir as canções que concorreram ao Oscar desse ano e tirando a canção de Sufjan Stevens, o resto estava bem fraquinho. Essa canção, "Mystery Of Love", faz parte do filme “Me Chame Pelo Teu Nome”, uma bela produção que merecia mais atenção do público e da crítica. Música: Mystery Of Love, de Sufjan Stevens.

Otávio Paiva
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