Caminhada destaca enfrentamento à violência contra mulheres na cidade

Paulo Vitor Souza

Uma caminhada na manhã de ontem marcou o penúltimo dia de comemorações da semana em homenagem às mulheres. O trajeto começou na praça da Catedral e percorreu ruas do Centro da cidade. Como em todas as ações da semana, a caminhada chamou a atenção para os casos de violência contra a mulher, uma das maiores preocupações das políticas de segurança pública do país.

Na ocasião, estiveram presentes órgãos de segurança pública como as polícias Civil (PC) e Militar (PM) e representantes do Corpo de Bombeiros. A caminhada atraiu o olhar de motoristas, comerciantes e de pessoas que caminhavam pelas ruas. Em apoio ao combate à violência doméstica, faixas foram exibidas.

Quem também esteve na caminhada foi a vereadora Janete Aparecida (PSD), que falou da necessidade de levar ao conhecimento popular a luta das mulheres contra a violência e pela igualdade de direitos.

— A caminhada hoje foi linda! Várias gerações de mulheres, crianças, adolescentes, jovens, adultas e idosas, além de vários homens engajados que estiveram presentes. A Polícia Civil de Divinópolis faz um trabalho fantástico, que é sair das quatro paredes e vir conscientizar. Não se trata de “mimimi”, e sim da necessidade de um enfrentamento sério e preventivo de conscientização e da garantia de segurança da denúncia feita, o que poderia mudar a realidade dos números da nossa cidade. Por isso, esse tipo de evento é tão importante — comentou a vereadora.

Divinópolis

Em reunião da Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (Acasp), a delegada responsável pela Delegacia Especializada de Orientação e Proteção à Família, Maria Gorete Rios, apresentou dados recentes do trabalho da PC no acolhimento a mulheres que sofrem variados tipos de agressão.

No ano passado, a Delegacia da Mulher registrou 998 casos de violência contra a mulher – média de 2,7 por dia. As formas da violência são variadas: 670 das ocorrências foram resolvidas por meio de mediação e conciliação; já 240 tiveram medida protetivas acionadas para resguardar a segurança da vítima; em outras 88 situações foram necessárias o encaminhamento para outros serviços da delegacia e até de serviços sociais, como os Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Serviço de Referência em Saúde Mental (Sersam) e Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Apenas neste ano, nos meses de janeiro a fevereiro, 231 casos de algum tipo de violência doméstica foram registrados, sendo 56 encaminhados para medidas protetivas e 29 a outros setores de assistência social.

A delegada enalteceu o tempo de serviço prestado à cidade pela Delegacia da Mulher e destacou o trabalho desenvolvido pela delegacia, que é anterior à Lei Maria da Penha, no combate à violência contra mulheres.

Combate

O combate à violência doméstica é hoje a principal pauta de grupos feministas que trabalham para a igualdade de gênero no mundo. Dados mostram que a violência contra a mulher é uma das maiores dificuldades de enfrentamento pelo poder público, que, mesmo com políticas recém-criadas e específicas para este tipo de violência, ainda não consegue promover um cenário de segurança e respeito às mulheres.

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o ambiente doméstico é o mais perigoso para as mulheres. Em outras palavras, as mulheres correm mais risco de serem violentadas dentro da própria casa. A violência em locais de âmbito familiar em 2019 representava 42% das agressões contra as mulheres, à frente de outros espaços públicos, como as ruas, que mostraram ser palco de 29% da violência.

A vitimização de mulheres no país ainda demonstra outras faces. Para além de violências mais típicas, como a física e sexual, elas ainda estão expostas a outras formas de agressões. O levantamento de 2019 traz outros ambientes violentos: causa de tantos conflitos da atualidade, a internet somou 8% dos casos. Neste espaço, o assédio é um dos crimes mais cometidos contra pessoas do sexo feminino.

Denunciar é preciso

Em casos de violência contra a mulher, a omissão é um dos fatores que influenciam diretamente na segurança das vítimas e na ineficácia de políticas de segurança. Para denunciar algum tipo de violência praticada contra uma mulher, é preciso contatar algum órgão de segurança, tais como a PM (180), a Defensoria Pública, a Central de Atendimento à Mulher ou até mesmo alguma casa abrigo.

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