Atrasos em repasses do SUS fazem HSJD penar

Hospital tem lucro operacional 3% maior que o previsto, mas inconstância dificulta planejamento

Ricardo Welbert

Nove meses depois de assumir o cargo de superintendente-geral do Hospital São João de Deus (HSJD), Elis Regina Guimarães afirma que seu maior desafio é o pagamento de funcionários em dia, por causa de atrasos em pagamentos referentes ao Sistema Único de Saúde (SUS). Na tarde de ontem ela entregou à Comissão de Saúde da Câmara um relatório que detalha os feitos da atual gestão hospitalar. O vereador Renato Ferreira (PSDB) disse que o documento será analisado e servirá de base para discussões.  

Segundo o relatório de 160 páginas, ao qual o Agora teve acesso com exclusividade, o HSJD começou 2017 com uma previsão de 9% de lucro no resultado operacional, que agora está em 12%. Apesar da melhora econômica, a inconstância do fluxo de caixa causada por atrasos em pagamentos do governo federal gera insegurança.

— O problema é que a gente fatura os gastos e envia tudo ao SUS, para que ele nos pague. Mas, esses pagamentos ainda estão atrasando muito. Isso pode nos levar a ter de atrasar pagamentos de funcionários e dificulta a quitação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de profissionais que saíram, mas ainda não receberam o acerto. Essa dívida é de R$ 14 milhões — explicou.

Negociar

A previsão é de que, a partir de 2018, os médicos sejam chamados para negociar. Uma das medidas estudadas para arrecadar mais dinheiro é começar a ampliar alguns leitos de convênio em agosto. Além disso, uma resolução do SUS em 2012 poderá servir para começar as obras do primeiro andar do prédio destinado aos leitos.

Também para o ano que vem estão previstas a ampliação dos atuais 326 leitos para 406; a construção de uma Unidade Coronariana com 20 leitos, que permitirá o recebimento de recursos diretos do Ministério da Saúde; a abertura de 25 leitos de retaguarda para urgência e emergência e a abertura de 15 leitos de neurocirurgia.

Renato Ferreira, presidente da Comissão de Saúde do Legislativo, disse que o relatório apresentado reúne informações úteis aos vereadores para a fiscalização do dinheiro público investido.

— O hospital vinha sofrendo com uma má administração e a recuperação, apesar de ser difícil vem ocorrendo. Para ajudar nisso, precisamos ficar sabendo dos detalhes da administração, para que possamos sugerir soluções — comentou, acrescentando que ainda não há outra reunião marcada com o gestores hospitalares.

Procurado pela reportagem, o SUS ainda não se posicionou sobre os atrasos em repasses relatados pela superintendente geral do hospital.

 

 

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