A denúncia da AACO e o que penso

 

Muitos estão me parando e perguntando o que acho desta situação envolvendo as denúncias da Associação dos Advogados do Centro-Oeste (AACO) contra o prefeito Galileu Machado (MDB), pedindo a formação de uma Comissão Processual para investigações e possível cassação de mandato. Até então venho me abstendo de falar o que penso porque estou entrevistando as partes envolvidas e, quando se exterioriza opinião pessoal sobre o assunto, o entrevistado pode se sentir receoso. De toda forma, o compromisso maior é com os leitores, ouvintes, internautas e telespectadores e por isso vou expressar. Claro, manterei o profissionalismo na condução das entrevistas.

Entendo como extremamente válida a preocupação da ACCO e conheço o trabalho social que a entidade desempenha na cidade. Acredito que as denúncias merecem, sim, investigação, até porque são sérias. Mas sou defensor de procedimentos justos em qualquer situação e acho que houve um pouco de pressa na hora se formatar a denúncia, o que acabou fragilizando a mesma. Nas entrevistas que fiz, cheguei a alertar que a defesa facilmente derrubaria a denúncia, em razão da falta de um laudo técnico sobre as gravações, único ponto a que estão se apegando na tentativa de se salvar.

Acho que desmerecer e fazer julgamento de caráter não cabe a ninguém e este caso deve ser analisado de maneira técnica. Entendo os argumentos dos vereadores que votaram “não” e dos que votaram “sim” para abertura dos procedimentos da comissão. Se por um lado há fragilidade na denúncia ofertada, por outro há o anseio popular de que a verdade apareça e, no fim, investigação não é condenação. De toda forma, é um pouco constrangedor para a Câmara aceitar nova investigação para uma denúncia que já é objeto de trabalho de uma CPI. É meio que desprezar o trabalho dos que foram nomeados para esta comissão, mesmo que as ferramentas sejam distintas em sua forma de agir.

Acredito que devido ao fato de a Comissão Processual investigar apenas o agente público, deixando de fora os demais citados, como Geraldo Passos, Marcelo Marreco, etc., ela se torna limitadora. A conclusão da CPI, apontando irregularidades e uma posterior Comissão Processual, parece-me fazer mais sentido e evitaria uma possível violação da democracia, já que, querendo ou não, o prefeito foi eleito por uma maioria e o Estado de Direito prevê uma série de ritos a serem cumpridos para que não se cometa uma injustiça. Se cometeu um crime, independentemente de quem seja, que pague, mas que também tenha direito de se defender sem interesses político-partidário, pessoal ou ideológico no processo.

A maneira que a situação foi conduzida pela entidade também causou um pouco de desconforto. Ao procurar a Câmara, chamando a imprensa, sem sequer conversar com vereadores, fizeram com que toda a situação soasse um pouco afrontosa e espetaculosa, como se os advogados não estivessem acreditando nos vereadores e, por isso, buscaram holofotes para assegurar que não seriam ignorados. Atitude inteligente, já que este é um dos papéis da imprensa, evitar que a sujeira vá para debaixo do tapete. Ainda assim, foi um pouco elefante na loja de cristais.

É preciso tomar muito cuidado com o populismo; a ferramenta é ótima para angariar votos, mas o povo não tende a agir de maneira técnica e, devido à precária educação do nosso país, reage emocionalmente a tudo e pede cassação, morte, prisão, ou seja, fogo no circo. Um espetáculo que, talvez, seja divertido de se ver, mas que transforma em cinzas a democracia brasileira.

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