‘Porta’

Israel Leocádio

Olá! Como vai? Hoje gostaria de abordar um aspecto da vida de Jesus, aqui na terra, que considero interessante. Jesus nasceu em Belém, mas foi criado em Nazaré (vila ao norte de Israel). Embora Jesus tenha vindo a este mundo com uma missão bem definida (anunciar o evangelho de salvação), Ele precisou passar por todo o caminho natural de um ser humano, visto que se fez humano! No relato do Evangelho de Lucas, “Jesus cresceu em sabedoria, em estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lucas 2.52). Em palavras diretas e simples: Jesus cresceu como um ser humano e aprendeu o que um ser humano de sua época deveria conhecer. Isso se aplica à vida como um todo: vida religiosa, escolar e profissional. Sim, Jesus tinha uma profissão! Em seu tempo, uma criança aprendia logo cedo o ofício de seu pai. No caso de Jesus, aprendeu o ofício de José, que era carpinteiro. E isso lhe foi útil para manutenção familiar até os 30 anos (idade com que o jovem ganhava sua emancipação). Pois vivia de seu trabalho, como ordena as Escrituras: “Digno é o trabalhador de seu sustento” (Lucas 10.7).

O ofício de carpinteiro era muito valorizado. Basta lembrar que quase todos os utensílios e objetos eram dependentes da madeira. Uma casa, por exemplo, tinha suas bases, pilares, estrado (piso elevado), móveis, janelas e portas feitas de madeira. Jesus certamente fez muitos desses objetos.

Embora todos os objetos tenham sua importância numa casa, quero referir-me em especial à porta (por carregar características importantes). Na construção de uma casa, naquele tempo, a porta era a última coisa a ser colocada. Geralmente, após ser vendida ou estar próximo da mudança do proprietário. Era a parte da construção mais particular e pessoal para quem morasse ali. A porta seguia o gosto e padrão de vida do dono da casa. Então, era comum que, no caso de a casa ser vendida, o novo proprietário mudasse a porta antes de se mudar. Logo, a porta apresentava o dono da casa.

É fácil compreender as razões: o dono determinava a porta de sua casa, porque somente ele poderia saber o segredo para abri-la. Era ele também o único que conhecia o valor que guardava em casa. Logo, o dono colocaria uma porta reforçada para proteger sua família e seus bens materiais, colocaria uma saída secreta, um trinco escondido, colocaria uma chave específica e a carregaria consigo. Então, somente o dono da casa tinha “domínio” sobre a porta e, consequentemente, sobre toda a casa. Então, se tal homem fechasse a porta e alguém indesejado insistisse em entrar, não poderia sem que o “dono” abrisse-lhe a porta. Pela mesma razão (proteção), as cidades tinham portões reforçados e que podiam ser abertos apenas por dentro. E, igualmente os palácios reais.

Por esta razão (de o controle absoluto ser do dono da casa sobre a porta) é que a Bíblia compara a igreja a uma casa em que a porta está sob o controle do coração do homem. E Jesus é apresentado como alguém que deseja entrar. Contudo, não o fará sem que o “dono” abra a porta. Assim diz a Bíblia: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3.20). Assim, ainda que o homem esteja em uma igreja, se não abrir seu coração a Cristo, mas mantiver fechada a porta, a igreja não lhe será útil e sua vida não sofrerá interferências do amor de Deus.

Outra observação necessária: não é somente a casa, a cidade, o palácio real, a igreja e o homem que têm suas portas. O céu também! E, por guardar o tesouro mais precioso, jamais visto e de valor incomparável, o dono dessa “Casa” colocou uma porta bem segura e firme. Ninguém poderá abri-la por força. Não há quem possa abrir a porta para o Céu, visto que é forte e poderosa. Ninguém poderá encontrar um caminho alternativo para entrar no Céu. Pois o “dono da casa” colocou apenas “uma porta” para entrar. Somente uma e é impenetrável. Se não for pela vontade do dono da casa, ninguém poderá entrar. Tal poderosa porta é Jesus! Assim afirma o Senhor: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á...” (João 10.9). Apenas uma é a forma para abrir a porta para o Céu: “Pela vontade do dono da casa”. Convença o Dono e a porta se abrirá. Como? Fazendo-se conhecido, amigo dele e fazendo a sua vontade. Não há outra porta, bem como não há outro caminho.

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