‘CRUCIFICA-O’

Israel Leocádio

Olá! Como vai? A história da humanidade é recheada de pessoas incríveis e admiráveis. Pessoas que tinham uma alma diferente, um espírito positivo, uma coragem incontida, um desejo de mudar as coisas, de mudar o mundo. Eu as admiro! Quando leio suas histórias, eu me emociono e sinto-me motivado a realizar algo realmente importante. São pessoas inspiradoras e também (por seus espíritos inquietos por mudança) são incompreendidas. Seus ideais são admiráveis. Geralmente, suas histórias carregam sangue e tristeza. Permita-me citar alguns exemplos:

  1. Martin Luther King Jr. foi um pastor protestante e ativista político estadunidense. Tornou-se um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo, que lhe rendeu um Nobel da Paz, em 1964. Em sua luta pelos direitos da minoria negra americana, encontrou inimigos hostis. E foi morto com um tiro em Memphis, no dia 4 de abril de 1968. Sua frase era difícil demais de ser ouvida por alguns. Dizia Martin: “Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”.
  2. Malala Yousafzai é uma ativista paquistanesa. Com o nome que significa “resistente”, Malala (ou Malalai) ficou mundialmente conhecida pela luta do direito das crianças de estudar (especialmente as meninas de seu país). Foi brutalmente atacada pelo Talibã, no transporte que a conduzia à escola. Muitos não suportavam seu sonho. Disse Malala: “Um professor, um aluno, um lápis, um caderno, podem mudar o mundo””. Foi ganhadora do Nobel da Paz, em 2014.
  3. Mohandas Karamchand Gandhi (mais conhecido como Mahatma Gandhi) foi um advogado indiano nacionalista, anticolonialista e especialista em ética política, que empregou resistência não violenta para liderar a campanha bem-sucedida para a independência da Índia do Reino Unido. Em 30 de janeiro de 1948, Mahatma Gandhi foi assassinado por um hinduísta fanático. Disse Ghandi: “Seja a mudança que você quer ver”. Gandhi recebeu o Nobel in memoriam, em 1989.

 

Todos estes nomes compõem uma grande lista de admiráveis, que lutaram por minorias, utilizando como arma o poder da argumentação e colocando suas próprias vidas em risco. Hoje, depois de passarem pela vida (alguns), suas vozes ainda se fazem ouvidas. E são lembrados como heróis.

Por que os heróis não são percebidos enquanto vivos, na maioria das vezes? Por que suas vozes geram repulsa e aversão?

Um, para mim, foi o maior de todos os heróis das minorias e o mais odiado de todos. Sua vida foi vivida em prol de todos os homens. Ele veio para os esquecidos, abandonados, adoecidos, inferiorizados, marginalizados, presos, aprisionados na alma, pobres, famintos, sem teto, sem esperança, órfãos, mortos em seus pecados, destinados ao infortúnio, destinados à morte eterna.

Suas palavras foram fortes, mas é sempre esquecido! Do tema que fale de amor, ele falou primeiro. Da igualdade e do perdão, ele falou primeiro. Ele estendeu as mãos aos aflitos primeiro. Ele evitou as armas, primeiro. Ele se interessou pelos esquecidos primeiro. Mas nunca foi aplaudido. Nunca recebeu homenagem de Nobel da Paz. Nunca sua vida foi apresentada em documentários, como homem a ser seguido em seu exemplo. Sua principal frase é desprezada: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”. Seu amor por nós é descartado, ainda que voluntariamente tenha escolhido morrer para que pudéssemos viver. Antes, ainda é motivo de escárnio. Razão de piadinhas infames por “grupos famosos”. Motivo de zombaria, blasfêmia, chocarrices. Ainda fazem piada de seu amor verdadeiro. Ainda riem de seu sacrifício. Na verdade, aquele que mais nos amou ainda ouve a mesma frase daqueles a quem defende diante de Deus: “Crucifica-o! crucifica-o!”.

Martin Luther King Jr. não pôde nos salvar com seu sonho. Malala Yousafzai não pôde nos salvar com suas escolas e livros. Mahatma Gandhi não pôde nos salvar com sua filosofia. Ainda assim, nós os aplaudimos. E, ainda assim, muitos preferem acreditar que Jesus merece a cruz. Que pena! Não mudamos muito nos últimos 20 séculos!...

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